O
Dia 08 de março é o Dia Internacional das Mulheres e, portanto, um marco de
luta pelos nossos direitos sociais. Este dia foi criado em 1910, na Segunda
Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, realizado em Copenhague,
com o objetivo de recuperar a história de luta pelo direito da liberdade das
mulheres, entre estes o direito ao voto, principal reivindicação da época.
Após
a decisão de haver um dia para se comemorar a conquista dos direitos das mulheres,
as comemorações do Dia Internacional ocorreram em diferentes datas, entre os
anos de 1911 e 1920.
Uma
manifestação de mulheres russas pedindo pão para seus filhos e o retorno de
seus companheiros das trincheiras em 08 de março de 1917 foi o que motivou a
escolha da data do Dia Internacional das Mulheres. A data foi definida em 1921
na Conferência de Mulheres comunistas, em Moscou (Informações do texto “Resignificar o 8 de março – tarefa do cotidiano”,
de Cleide Diamantino).
Embora com o passar dos anos, com a luta
de muitas companheiras, muito tenha se conquistado, a caminhada ainda é longa e
muitas batalhas ainda precisam ser travadas para a conquista da autonomia,
empoderamento e a garantia dos nossos direitos sociais.
Somos, ainda, o principal alvo da
violência doméstica e nosso país apresenta dados alarmantes no que se refere às
diversas formas de violência contra as mulheres.
O Brasil registrou, no
ano de 2013, 50.320 estupros. Uma média
de quase seis a cada hora, um a cada 10 minutos. Os dados são do 8º Anuário
Brasileiro de Segurança Pública.
Desse total de estupros,
315 foram cometidos por menores de idade. No mesmo ano, também foram
registradas 5.931 tentativas de estupro no País.
Segundo apontam pesquisas
internacionais, apenas 35% das vítimas de estupro costumam denunciar o crime à
Polícia. Isso significa que é possível que no Brasil tenham sido cometidos 143
mil estupros em 2013, de acordo com estimativas do Anuário, o que elevaria o
número de estupros para um a cada 4 minutos.
Em nossa cidade e na
vizinha cidade de Rio Branco também temos notícia de casos de violência sexual
cometidos contra mulheres de todas as idades, inclusive adolescentes e crianças,
e não podemos ser conivente com esta realidade.
O mapa da violência no
Brasil também revelou que 4.580 mulheres foram mortas por agressão em 2013, o
que representa 8,4% de um total de 54.269 vítimas de homicídio por agressão,
entre homens e mulheres, ao longo do ano no país. Depois de dados tão
alarmantes, destacamos um ponto positivo, recentemente houve a criminalização
do feminicídio.
No Rio Grande do Sul
sofremos um gigantesco retrocesso no que diz respeito às políticas públicas
para mulheres, com o fechamento, pelo Governo Sartori, da Secretaria de
Políticas para as Mulheres. Fruto de muito trabalho e da luta de diversos
movimentos sociais, em especial protagonizados por mulheres, esta Secretaria
havia conquistado, entre outras coisas, a redução dos índices de violência
contra as mulheres no Rio Grande do Sul.
Voltando aos dados do
país, tratando da nossa situação econômica, no que diz respeito aos salários,
uma mulher ganha, em média 27% a menos do que os homens e as mulheres negras,
por sua vez, ganham cerca da metade do
que ganha um homem branco.
Por isto, manifestamos o
nosso repúdio às diversas situações discriminatórias e machistas com as quais
nos deparamos também no campo da política e a alguns representantes, que deveriam promover avanços e melhores condições
de vida para as mulheres, mas que frequentemente nos atacam e desrespeitam, de
forma criminosa, como é o caso do Deputado Jair Bolsonaro, que declarou
recentemente que as mulheres realmente devem ganhar menores salários do que os
homens, pois correm o risco de engravidar durante o trabalho, dar prejuízo e
diminuir os lucros das empresas, em um cenário liberal. Este mesmo Parlamentar
também declarou à Deputada Maria do Rosário que não a estupraria “porque ela
não merece ser estuprada”, deixando subentendido que algumas mulheres merecem
ser estupradas.
Cabe, ainda, falar do “desserviço”
que a grande mídia cumpre, marginalizando os movimentos sociais,
ridicularizando e comercializando nossos corpos, como se fôssemos mercadorias.
Com as frequentes
notícias de mulheres que morrem ao tentar realizar o aborto, e que mulheres
ricas tem acesso à prática na rede privada, de forma clandestina, enquanto que
mulheres pobres sofrem sem ter com quem contar em uma gravidez indesejada, consideramos
urgente que o país encare esta situação e avance na descriminalização e
regulamentação, que deve ser aliada com políticas públicas de saúde e
prevenção, pois a maternidade jamais pode ser imposta, e sim desejada,
consentida e prazerosa.
Também lutamos pelo
fomento ao parto humanizado, pois nosso país enfrenta, hoje, o que pode ser
considerado uma epidemia de cesáreas e diversas situações de violência
obstétrica, que nos tiram o direito a sermos protagonistas do processo natural
do parto.
Como mulheres,
estudantes, mães e trabalhadoras, batalhamos pela qualidade do ensino público,
por creches, e pelo auxílio-creche para mães que são universitárias, que não
devem ser privadas do direito de estudar.
Vale ressaltar que não
se trata de um favor, mas de um direito que integra o Plano Nacional de
Assistência Estudantil. Recentemente, a Unipampa teve um grande avanço ao
instituir o auxílio-creche, que foi uma luta do movimento estudantil e do
Coletivo Margaridas, mas de forma vergonhosa e sem explicar os motivos, revogou
o auxílio.
Em Jaguarão, também
estivemos nas ruas no dia 08 de março, com a 4ª Marcha das Mulheres, que este
ano mobilizou mulheres brasileiras e uruguaias, e gente de todas as idades, onde
estivemos unidas em uma só voz: Si tocán a una, tocán a todas! Mexeu com uma,
mexeu com todas!
Alinhadas a diversos
movimentos de mulheres, elegemos como principal pauta a necessidade urgente de
uma reforma política em nosso país, que deve ser efetivada com protagonismo e participação
popular, através da convocação de um plebiscito.
Queremos maior
representação no Congresso, Assembleias e nas Câmaras Municipais, para que a
política não seja apenas um espaço marcado pelo patriarcado e dominada
hegemonicamente por homens, especialmente brancos, cristãos, empresários,
ruralistas e evangélicos.
Queremos que a política
tenha, também, representantes negros e negras, indígenas, dos segmentos LGBT’S
e que conte com muitas mulheres, em um sistema justo democrático e paritário.
Isto só vai acontecer
quanto contarmos com o fim do financiamento privado e empresarial de campanhas,
que nos torna reféns do grande capital e impede o acesso de todos e todas ao
cenário político.
Por fim, agradecemos o
espaço cedido para o uso da tribuna do Legislativo, e conclamamos a todos e
todas a fortalecerem esta luta e a se unirem, por um projeto realmente
feminista e popular!
4ª Marcha das Mulheres.
Jaguarão/RS. Março de 2015.