segunda-feira, 6 de julho de 2015

Prefeito e Secretários recebem grupo Mulheres de Fronteira

Na sexta-feira (03) o prefeito Cláudio Martins recebeu em seu Gabinete o grupo Mulheres de Fronteira, movimento social que reúne representantes de Jaguarão e Rio Branco e que trabalha pautas relacionadas ao combate a violência contra a mulher, à violência obstétrica entre outros temas ligados ao mundo feminino.
Na ocasião as ativistas questionaram sobre a implantação do Centro de Referência Binacional da Mulher, uma conquista da cidade de Jaguarão em 2013. “Conseguimos com uma grande articulação municipal conquistar este centro para a cidade. Em função da extinção da Secretaria Estadual de Políticas Públicas para as Mulheres, esta ação ficou comprometida. O município já doou a área para a construção do Centro e estamos em permanente contato com o Governo Federal para alcançar a sua concretização”, contou o prefeito.
Outras pautas também foram debatidas, como a humanização do parto, sendo que o Grupo Mulheres de Fronteira irá organizar uma atividade amanhã (04) para debater o tema, no Centro Público de Economia Solidária. “Já visitamos a Secretaria de Saúde e Santa Casa a fim de chamar a atenção para este tema, já que os índices de cesárea são ainda muito altos em nosso município”, afirmou a secretária adjunta de Cultura e Turismo e integrante do grupo Mulheres de Fronteira, Andréa Lima.
Cláudio reiterou apoio ao Grupo e se colocou a disposição para articular ações políticas em parceria com o país vizinho e o consulado, a fim de avançar na construção de ações que beneficiem as mulheres da fronteira.
Participaram da reunião o vice-prefeito Lisandro Lenz, o secretário de Desenvolvimento Social Marcelo Victória, o secretário de Saúde Celso Caetano e a coordenadora da Saúde da Mulher, Bruna Lopes.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Mujeres de Frontera visitam Secretaria de Saúde e Santa Casa


Na ocasião as mulheres ressaltaram o alto índice de cesarianas no município e a necessidade de trabalhar a humanização no parto

No dia 24 de junho, quarta-feira, as organizações que compõem o grupo Mujeres de Frontera estiveram na Secretaria de Saúde e Santa Casa de Jaguarão a fim de buscar articular a ampliação das políticas e atenção para a saúde das mulheres. 
O grupo foi recebido pelo secretário adjunto Paulinho Vieira, pelo Gestor Presidente da Santa Casa João Cláudio Pedroza e a adjunta Dolores Gaidarji, para conversar a respeito da humanização do parto. Jaguarão possui altos  índices de cesáreas, totalizando 70% dos nascimentos, contrariando o que defende a Organização Mundial de Saúde onde a taxa ideal de cesáreas é de até 15%. 
Esse número excessivo de cesarianas expõe desnecessariamente as mulheres e os bebês aos riscos de efeitos adversos no parto e nascimento. "Através desses dados percebemos o quanto o debate sobre a humanização do parto precisa estar presente entre a sociedade e os órgãos públicos", ressalta Andréa Lima. 
O Renascimento do Parto
O Grupo Mujeres de Frontera  esta organizando o I Encontro de Maternidade e Parto Humanizado que ocorrerá  no sábado,04 de julho, às 16h no Centro de Economia Solidária (Pindorama). A entrada é gratuita e livre para qualquer interessado.

Se o hoje for de luta, o amanhã será de conquistas!

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Quais as reais necessidades das Mulheres de Fronteira?

Encontro irá debater e propor ações para melhorar a vida das mulheres da fronteira

Hoje às 18h30, na Biblioteca Pública Municipal, acontece mais um encontro das Mulheres de Fronteira/Mujeres de Fronteira com o objetivo de traçar um diagnóstico conjunto da realidade e necessidades das mulheres de Jaguarão e Rio Branco.

Integrantes das duas cidades já fizeram o levantamento de seus locais e hoje farão o cruzamento destes dados. O encontro é aberto à todas que tiverem interesse em participar!

Manifesto da 4ª Marcha das Mulheres de Jaguarão


O Dia 08 de março é o Dia Internacional das Mulheres e, portanto, um marco de luta pelos nossos direitos sociais. Este dia foi criado em 1910, na Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, realizado em Copenhague, com o objetivo de recuperar a história de luta pelo direito da liberdade das mulheres, entre estes o direito ao voto, principal reivindicação da época.
Após a decisão de haver um dia para se comemorar a conquista dos direitos das mulheres, as comemorações do Dia Internacional ocorreram em diferentes datas, entre os anos de 1911 e 1920.

Uma manifestação de mulheres russas pedindo pão para seus filhos e o retorno de seus companheiros das trincheiras em 08 de março de 1917 foi o que motivou a escolha da data do Dia Internacional das Mulheres. A data foi definida em 1921 na Conferência de Mulheres comunistas, em Moscou (Informações do texto “Resignificar o 8 de março – tarefa do cotidiano”, de Cleide Diamantino).
Embora com o passar dos anos, com a luta de muitas companheiras, muito tenha se conquistado, a caminhada ainda é longa e muitas batalhas ainda precisam ser travadas para a conquista da autonomia, empoderamento e a garantia dos nossos direitos sociais.

Somos, ainda, o principal alvo da violência doméstica e nosso país apresenta dados alarmantes no que se refere às diversas formas de violência contra as mulheres.
O Brasil registrou, no ano de 2013, 50.320 estupros.  Uma média de quase seis a cada hora, um a cada 10 minutos. Os dados são do 8º Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
Desse total de estupros, 315 foram cometidos por menores de idade. No mesmo ano, também foram registradas 5.931 tentativas de estupro no País.
Segundo apontam pesquisas internacionais, apenas 35% das vítimas de estupro costumam denunciar o crime à Polícia. Isso significa que é possível que no Brasil tenham sido cometidos 143 mil estupros em 2013, de acordo com estimativas do Anuário, o que elevaria o número de estupros para um a cada 4 minutos.
Em nossa cidade e na vizinha cidade de Rio Branco também temos notícia de casos de violência sexual cometidos contra mulheres de todas as idades, inclusive adolescentes e crianças, e não podemos ser conivente com esta realidade.
O mapa da violência no Brasil também revelou que 4.580 mulheres foram mortas por agressão em 2013, o que representa 8,4% de um total de 54.269 vítimas de homicídio por agressão, entre homens e mulheres, ao longo do ano no país. Depois de dados tão alarmantes, destacamos um ponto positivo, recentemente houve a criminalização do feminicídio.

No Rio Grande do Sul sofremos um gigantesco retrocesso no que diz respeito às políticas públicas para mulheres, com o fechamento, pelo Governo Sartori, da Secretaria de Políticas para as Mulheres. Fruto de muito trabalho e da luta de diversos movimentos sociais, em especial protagonizados por mulheres, esta Secretaria havia conquistado, entre outras coisas, a redução dos índices de violência contra as mulheres no Rio Grande do Sul.

Voltando aos dados do país, tratando da nossa situação econômica, no que diz respeito aos salários, uma mulher ganha, em média 27% a menos do que os homens e as mulheres negras, por sua vez,  ganham cerca da metade do que ganha um homem branco.

Por isto, manifestamos o nosso repúdio às diversas situações discriminatórias e machistas com as quais nos deparamos também no campo da política e a alguns representantes,  que deveriam promover avanços e melhores condições de vida para as mulheres, mas que frequentemente nos atacam e desrespeitam, de forma criminosa, como é o caso do Deputado Jair Bolsonaro, que declarou recentemente que as mulheres realmente devem ganhar menores salários do que os homens, pois correm o risco de engravidar durante o trabalho, dar prejuízo e diminuir os lucros das empresas, em um cenário liberal. Este mesmo Parlamentar também declarou à Deputada Maria do Rosário que não a estupraria “porque ela não merece ser estuprada”, deixando subentendido que algumas mulheres merecem ser estupradas.
Cabe, ainda, falar do “desserviço” que a grande mídia cumpre, marginalizando os movimentos sociais, ridicularizando e comercializando nossos corpos, como se fôssemos mercadorias.

Com as frequentes notícias de mulheres que morrem ao tentar realizar o aborto, e que mulheres ricas tem acesso à prática na rede privada, de forma clandestina, enquanto que mulheres pobres sofrem sem ter com quem contar em uma gravidez indesejada, consideramos urgente que o país encare esta situação e avance na descriminalização e regulamentação, que deve ser aliada com políticas públicas de saúde e prevenção, pois a maternidade jamais pode ser imposta, e sim desejada, consentida e prazerosa.
Também lutamos pelo fomento ao parto humanizado, pois nosso país enfrenta, hoje, o que pode ser considerado uma epidemia de cesáreas e diversas situações de violência obstétrica, que nos tiram o direito a sermos protagonistas do processo natural do parto.

Como mulheres, estudantes, mães e trabalhadoras, batalhamos pela qualidade do ensino público, por creches, e pelo auxílio-creche para mães que são universitárias, que não devem ser privadas do direito de estudar.
Vale ressaltar que não se trata de um favor, mas de um direito que integra o Plano Nacional de Assistência Estudantil. Recentemente, a Unipampa teve um grande avanço ao instituir o auxílio-creche, que foi uma luta do movimento estudantil e do Coletivo Margaridas, mas de forma vergonhosa e sem explicar os motivos, revogou o  auxílio.

Em Jaguarão, também estivemos nas ruas no dia 08 de março, com a 4ª Marcha das Mulheres, que este ano mobilizou mulheres brasileiras e uruguaias, e gente de todas as idades, onde estivemos unidas em uma só voz: Si tocán a una, tocán a todas! Mexeu com uma, mexeu com todas!

Alinhadas a diversos movimentos de mulheres, elegemos como principal pauta a necessidade urgente de uma reforma política em nosso país, que deve ser efetivada com protagonismo e participação popular, através da convocação de um plebiscito.
Queremos maior representação no Congresso, Assembleias e nas Câmaras Municipais, para que a política não seja apenas um espaço marcado pelo patriarcado e dominada hegemonicamente por homens, especialmente brancos, cristãos, empresários, ruralistas e evangélicos.

Queremos que a política tenha, também, representantes negros e negras, indígenas, dos segmentos LGBT’S e que conte com muitas mulheres, em um sistema justo democrático e paritário.

Isto só vai acontecer quanto contarmos com o fim do financiamento privado e empresarial de campanhas, que nos torna reféns do grande capital e impede o acesso de todos e todas ao cenário político.
Por fim, agradecemos o espaço cedido para o uso da tribuna do Legislativo, e conclamamos a todos e todas a fortalecerem esta luta e a se unirem, por um projeto realmente feminista e popular!


4ª Marcha das Mulheres. Jaguarão/RS. Março de 2015.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Mulheres de Fronteira: força, união e conquista

O grupo Mulheres de Fronteira/Mujeres de Frontera surge da união de mulheres e organizações da sociedade civil que lutam pelos direitos das mulheres a participação em igualdade de condições nas distintas atividades econômicas, sociais, politicas e culturais, direitos estes que transcendem as fronteiras tornando única a luta tanto de mulheres uruguaias quanto brasileiras. O grupo, composto por mulheres da cidade de Jaguarão e Rio Branco, já realizou três encontros em conjunto e agora ambas cidades trabalham no diagnóstico de seus locais a fim de construir junto ao poder público de ambos os países políticas que supram as necessidades das mulheres fronteiriças, como por exemplo o combate à violência contra à mulher que atinge níveis preocupantes em nossa região.


A desigualdade nos coloca em desvantagem, a discriminação dificulta o direito das mulheres a participação em igualdade de condições nas distintas atividades econômicas, sociais, políticas e culturais.
Esta situação transcende fronteiras e nos obriga a olhar juntas, como vizinhas.
Enquanto mulheres nos unimos nesta rede de organizações, grupos e ativistas independentes para colocar um fim ao patriarcado, pois temos a certeza de que juntas somos mais fortes.
“Somos mulheres de fronteira: força, união e conquista”